A oferta de consultas e transações financeiras pelo celular começou como serviço de valor agregado aos clientes de outros canais. Porém, há cerca de dois anos, as instituições partiram para nova abordagem: aproveitar a penetração da telefonia móvel como veículo para chegar onde banco algum esteve.Duas experiências neste segmento dos desbancarizados vêm continente africano.
O Banco Wizzit, divisão dedicada exclusivamente à operação de mobile banking do South African Bank of Athens, da África do Sul, oferece serviços à base da pirâmide do mercado, com uma operação rentável. "Estamos atingindo segmentos desbancarizados ou sub-bancarizados, nos quais os grandes bancos não viam muita atratividade", comenta Brian Richardson, fundador e diretor do Wizzit.
Outra instituição sul-africana, que oferece serviços móveis, com foco nos desbancarizados, desde 2005 é o First National Bank. "O celular já ultrapassou o Internet banking em número de clientes atendidos. A solução provou ser adequada ao mercado de massas", constata Len Pienaar, CEO da instituição.
16 milhões de desbancarizados
O executivo do Wizzit conta que pesquisa da FinMark Trust apurou que cidadãos sul-africanos levavam até uma hora para conseguir pagar uma conta ou fazer uma transferência. "O horário de funcionamento das agências, entre 9h00 e 15h30, tornava o banco um pesadelo para os trabalhadores, principalmente em áreas rurais", lembra.
Segundo Richardson, entre os 22 milhões de usuários de telefones celulares na África do Sul, estão 60% dos 16 milhões de desbancarizados. Atualmente, mais de 500 mil sul-africanos usam o celular para pagamentos, remessas e compra de créditos de serviços pré-pagos.
Tomando como base a tabela do MTN Banking, joint-venture do Standard Bank com a MTN (operadora de GSM), as tarifas variam de 3 Rendes (cerca de R$ 1) para transferências a 10 Rendes por saques em ATM de outros bancos.
Em novembro de 2006, o FNB lançou seu serviço de mobile banking na subsidiária de Botswana. "A vastidão e as distâncias de algumas áreas do país dão muito espaço para a oferta de serviços via celular, sem canibalizar os outros canais", observa Peinaar. "A inovação vai acelerar nossos esforços para trazer milhares de cidadãos ao sistema, principalmente nas áreas rurais", acrescenta Danny Zandamela, CEO do FNB Botswana. "Hoje, apenas 25% de 1,6 milhão de habitantes usam serviços bancários. Queremos mostrar que há alternativa conveniente, acessível e com custo aceitável", acrescenta.
Mobile banking de massas
A modalidade de vendas pré-pagas são uma forma de acelerar a universalização de serviços básicos, particularmente em países com populações de baixa renda. Como conseqüência, a compra de créditos é uma das principais aplicações de mobile banking de massas. "O FNB processa 700 mil transações por mês (de compra de créditos) e o número cresce rapidamente", menciona Pienaar. A partir de abril do ano passado, a aplicação de celular serve não apenas para recarga do próprio serviço da operadora, como também funciona para pré-pagamento de energia à Western Cape. "Estamos conseguindo usar o celular como um canal para chegar a segmentos que não conseguíamos atingir a um custo viável", afirma.
Edson Fregni, vice-presidente da Forrester Research, informa que a mobilidade está na agenda de 100% das instituições no Brasil, conforme o Primeiro Relatório Forrester de Tecnologia da Informação nos Bancos Brasileiros. Ele avalia que não há problemas técnicos complicados e que a maior parte das estruturas está preparada para incorporar o novo canal. A grande discussão está na abordagem de como utilizar as funcionalidades dos terminais.
A maioria das experiências em países emergentes é baseada em SMS (ou algumas derivações), para atingir as faixas de mercado que usam os aparelhos básicos e ter independência da tecnologia de rede. Isso é o bastante para operações de Mpayment (pagamentos móveis). Para um público mais sofisticado, ao qual se quer oferecer funcionalidades mais ricas, soluções baseadas em J2ME (Java) e outras plataformas avançadas são mais comuns. Uma solução externa para esse impasse, segundo Fregni, pode estar na evolução da tecnologia de Reconhecimento de Voz e Fala, que permite funções mais sofisticadas, com uma interface simples e natural. Como o mínimo que qualquer telefone pode fazer é transmitir Voz, a idéia é a seguinte: o usuário liga para uma URA (unidade de resposta automática), que faria duas coisas: o reconhecimento de seu timbre de voz, como forma de autenticação; e o reconhecimento dos comandos, que passam a ser simplesmente ditados.
Fonte: www.ciab.org.br